O Partido Socialista (PS) da Figueira da Foz manifestou a sua "profunda preocupação e repúdio" pelo comportamento do presidente da Câmara Municipal durante a reunião ordinária do executivo realizada no passado dia 23 de junho, acusando o autarca de abandonar os trabalhos após dirigir acusações aos eleitos socialistas.
Em comunicado, a concelhia do PS considera que o presidente da Câmara "não está acima das instituições" e defende que as reuniões públicas não podem ser transformadas em momentos de confronto político ou de dramatização pessoal quando os responsáveis autárquicos são confrontados com perguntas ou sujeitos ao escrutínio democrático.
Os socialistas recordam que os seus deputados, vereadores, presidentes de junta e membros das assembleias de freguesia foram eleitos democraticamente pelos cidadãos da Figueira da Foz, sublinhando que possuem plena legitimidade para acompanhar, fiscalizar e intervir em todos os assuntos relevantes para o concelho, incluindo o processo relacionado com a unidade industrial da BioAdvance.
Segundo o PS, o que considera mais grave é o facto de o presidente da Câmara ter introduzido o tema da BioAdvance durante a reunião, dirigido críticas aos representantes socialistas e abandonado a sessão antes de ouvir os esclarecimentos e o contraditório.
Para a estrutura concelhia socialista, esta atitude demonstra "falta de respeito institucional, ausência de sentido democrático e incapacidade para lidar com o escrutínio político", acrescentando que "não é liderança, não é responsabilidade e não é democracia".
O comunicado recorda ainda que esta não terá sido a primeira vez que o autarca abandona uma sessão relacionada com este tema. O PS refere que situação idêntica ocorreu durante a Assembleia Municipal extraordinária de 11 de outubro de 2024, considerando que existe um padrão de comportamento sempre que o presidente é confrontado com questões relacionadas com o processo da BioAdvance.
Os socialistas sustentam igualmente que foi a Câmara Municipal quem aprovou o projeto de arquitetura, deferiu o processo de licenciamento, emitiu a licença de construção e reduziu taxas ao promotor da unidade industrial, defendendo que, caso o presidente entendesse que a fábrica não deveria ter sido construída, deveria ter promovido um debate público e assegurado o cumprimento da legislação aplicável.
No comunicado, o Partido Socialista reafirma que continuará a acompanhar o processo da BioAdvance "com rigor, transparência e sentido de responsabilidade", garantindo que continuará a denunciar eventuais ilegalidades e a defender os interesses das populações.
A terminar, o PS considera que a Figueira da Foz necessita de uma liderança que enfrente os problemas do concelho e não que abandone as reuniões onde esses assuntos são discutidos.
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